O sexo do profissional de psicologia tem importância? Isso influenciará no seu tratamento?

É importante salientar que algumas pessoas podem se sentir mais confortáveis diante de uma mulher e outros podem preferir conversar com um psicólogo do sexo masculino. Isso dependerá, entre outros fatores, da questão a ser tratada.

De acordo com o psicólogo Giovane Oliveira, quando escolhemos um profissional não há como negar que existe uma carga de expectativa sobre acolhimento e compreensão da questão que está sendo levantada.

“Pensando na sexologia, que é minha área de atuação, muitos homens sentem-se mais confortáveis com psicólogos do sexo masculino. Talvez por entenderem que possam passar vergonha na frente de uma mulher, ou por acharem que um homem pode ter maior facilidade de entender sua questão. Isso é verdadeiro? Não necessariamente, mas já diz um pouco sobre como o paciente está entendendo e atravessando esse momento de vida, e cabe ao psicólogo, quando necessário, trazer isso para o setting terapêutico”, pontua Giovane.

Seguindo o mesmo exemplo, há também homens com problemas de disfunção erétil que, ao procurar tratamento terapêutico, ficam mais confortáveis com psicólogas, talvez por imaginar que abrir uma questão desse tipo para um homem pode indicar fraqueza. Infelizmente esse é um sentimento bastante comum, reflexo do pensamento machista instaurado socialmente, que cria um homem que jamais pode falhar.

O ponto de vista da Psicologia

O psicólogo Fábio Fonseca afirma que enquanto figura arquetípica o sexo do psicólogo não importa, mas há importância quanto ao início do processo.

Penso que isso vale refletir a partir da noção de Figura e Fundo da Gestalt. O psicólogo é simbolicamente um "curador de almas" e essa figura arquetípica não possui uma sexualidade específica, tratando-se de ser tanto uma figura materna quanto paterna (independente do gênero do psicólogo, mas sim da necessidade afetiva do paciente).

Contudo, no atendimento clínico há também a figura da pessoa que possui um gênero, assim como um estilo de ser, cor, costumes culturais, forma corporal etc.

Isso posto, vale refletir que uma pessoa busca sua própria figura internalizada de cuidador (sendo somente essa alinhavada ao psi que nos permite ter um acesso profundo às estruturas simbólicas da pessoa). Assim, o psicólogo eleito pelo sujeito é alguém que carrega suas próprias noções de cuidado e aí ocorre um jogo de figura e fundo da visão do paciente em relação ao psicólogo, privilegiando a pessoa ou a figura arquetípica. 

A fusão das duas figuras acaba por colocar a relação humana (e no caso, terapêutica) a frente de todos os estereótipos culturais e existenciais presentes. Assim, a terapia se torna madura e o par terapêutico cresce dentro  do processo.

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